Glomerulonefrite Membranosa: sintomas, diagnóstico e tratamento

Conheça a Glomerulonefrite Membranosa, uma importante causa de síndrome nefrótica em adultos. Saiba seus sintomas, diagnóstico e tratamento.
Glomerulonefrite Membranosa: sintomas, causas e tratamento

A Glomerulonefrite Membranosa, atualmente mais conhecida como Nefropatia Membranosa, é uma das principais causas de síndrome nefrótica em adultos. Trata-se de uma doença glomerular caracterizada pelo espessamento da membrana basal dos glomérulos devido ao depósito de imunocomplexos, comprometendo a capacidade dos rins de reter proteínas no sangue.

A doença pode apresentar evolução variável. Enquanto alguns pacientes entram em remissão espontânea, outros desenvolvem perda progressiva da função renal, podendo evoluir para doença renal crônica avançada.

Nas últimas décadas, avanços importantes permitiram compreender melhor os mecanismos imunológicos envolvidos, possibilitando diagnósticos mais precisos e tratamentos direcionados. http://www.miglimed.com.br/nefrologia; http://www.miglimed.com.br/sindromenefrotica


O que é a Glomerulonefrite Membranosa?

Os glomérulos são pequenas estruturas presentes nos rins responsáveis pela filtração do sangue. Na glomerulonefrite membranosa ocorre o depósito de anticorpos e proteínas do sistema imunológico na membrana basal glomerular.

Esse processo desencadeia:

  • lesão dos podócitos
  • aumento da permeabilidade glomerular
  • perda excessiva de proteínas pela urina
  • desenvolvimento de síndrome nefrótica

A doença pode ocorrer de forma primária (autoimune) ou secundária a outras condições médicas.


Principais sintomas

A apresentação clínica é frequentemente lenta e progressiva.


Proteinúria

A proteinúria é a principal característica da doença.

A perda excessiva de proteínas pela urina pode provocar:

  • urina espumosa
  • redução da albumina no sangue
  • alterações metabólicas

Em muitos pacientes, a proteinúria ultrapassa 3,5 gramas por dia, caracterizando síndrome nefrótica.


Edema

O edema é um dos sintomas mais comuns.

Pode ocorrer:

  • ao redor dos olhos
  • nos pés e tornozelos
  • nas pernas

Nos casos mais graves pode surgir edema generalizado (anasarca).


Ganho de peso

O acúmulo de líquidos leva frequentemente ao aumento rápido do peso corporal.


Fadiga

A perda de proteínas e as alterações metabólicas podem causar cansaço persistente.


Hipertensão arterial

Embora nem todos os pacientes apresentem pressão alta, ela pode ocorrer e contribuir para a progressão da doença renal.


Causas da Glomerulonefrite Membranosa

A doença pode ser classificada em primária ou secundária.


Nefropatia membranosa primária

Representa aproximadamente 70% a 80% dos casos.

É considerada uma doença autoimune.

Nos últimos anos, descobriu-se que muitos pacientes produzem anticorpos contra proteínas dos podócitos, especialmente:

  • receptor da fosfolipase A2 (PLA2R)
  • THSD7A

A identificação desses anticorpos revolucionou o diagnóstico da doença.


Nefropatia membranosa secundária

Pode ocorrer associada a diversas condições.

Doenças autoimunes

Principalmente:

  • lúpus eritematoso sistêmico

Infecções

Algumas infecções associadas incluem:

  • hepatite B
  • hepatite C
  • sífilis

Neoplasias

Alguns tumores sólidos podem estar relacionados à doença, especialmente em pacientes mais idosos.


Medicamentos

Certos medicamentos podem desencadear o quadro, incluindo:

  • anti-inflamatórios não esteroidais
  • sais de ouro
  • penicilamina

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico envolve exames laboratoriais, investigação clínica e biópsia renal.


Exames de urina

Podem mostrar:

  • proteinúria importante
  • lipidúria
  • hematúria discreta em alguns casos

Exames de sangue

Avaliam:

  • albumina sérica
  • colesterol
  • creatinina
  • ureia

Pacientes frequentemente apresentam colesterol elevado devido à síndrome nefrótica.


Anticorpo anti-PLA2R

Atualmente, a dosagem do anticorpo anti-PLA2R é um importante exame diagnóstico.

A presença desse marcador apoia fortemente o diagnóstico de nefropatia membranosa primária.


Biópsia renal

A biópsia continua sendo o padrão ouro para confirmação diagnóstica.

Os principais achados incluem:

  • espessamento difuso da membrana basal glomerular
  • depósitos subepiteliais de imunocomplexos
  • lesão dos podócitos

Na microscopia eletrônica observam-se os clássicos depósitos em “espículas” (“spikes”).


Tratamento

O tratamento depende do grau de proteinúria, da função renal e do risco de progressão.


Tratamento conservador

Pacientes de baixo risco podem inicialmente receber:

  • controle da pressão arterial
  • restrição moderada de sódio
  • controle lipídico
  • redução da proteinúria

Medicamentos frequentemente utilizados incluem:

  • IECA
  • BRA

Imunossupressão

Pacientes com maior risco de progressão podem necessitar de tratamento imunossupressor.

As opções incluem:

  • corticosteroides
  • ciclofosfamida
  • ciclosporina
  • tacrolimo
  • rituximabe

O rituximabe tornou-se uma das principais opções terapêuticas devido à sua eficácia e perfil de segurança.


Possíveis complicações

Pacientes com síndrome nefrótica apresentam maior risco de:

Trombose

A perda urinária de proteínas anticoagulantes aumenta o risco de eventos tromboembólicos.


Infecções

A alteração do sistema imunológico favorece infecções.


Doença renal crônica

Em alguns pacientes ocorre perda progressiva da função renal ao longo dos anos.


Prognóstico

O prognóstico varia significativamente.

Aproximadamente:

  • um terço dos pacientes apresenta remissão espontânea
  • um terço mantém doença estável
  • um terço evolui para insuficiência renal progressiva

Fatores associados a pior prognóstico incluem:

  • proteinúria persistente
  • hipertensão arterial
  • queda da função renal
  • altos níveis de anticorpos anti-PLA2R

Quando procurar um nefrologista?

É importante buscar avaliação médica diante de:

  • urina persistentemente espumosa
  • inchaço nas pernas
  • edema ao redor dos olhos
  • aumento da creatinina
  • diagnóstico de síndrome nefrótica

O tratamento precoce aumenta as chances de preservação da função renal.


Conclusão

A Glomerulonefrite Membranosa, ou Nefropatia Membranosa, é uma importante causa de síndrome nefrótica em adultos. Caracteriza-se pela perda significativa de proteínas pela urina, edema e risco de progressão para doença renal crônica.

Os avanços no conhecimento dos mecanismos imunológicos da doença permitiram diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. O acompanhamento regular com nefrologista e a adesão ao tratamento são fundamentais para preservar a função renal e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.


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