Controle de potássio na Doença Renal Crônica: por que é essencial e como fazê-lo

Potássio é fundamental para o corpo, participa da transmissão de impulsos nervosos, contração muscular e ajuda a manter equilíbrio eletrolitico e ácido-básico.
Controle de Potássio na Doença Renal Crônica

O potássio é um mineral fundamental para o bom funcionamento do organismo. Ele participa da transmissão dos impulsos nervosos, da contração muscular (inclusive do coração) e ajuda a manter o equilíbrio hídrico e ácido-base do corpo.

No entanto, quando os rins perdem a capacidade de eliminar o excesso de potássio, o nível desse mineral no sangue pode subir perigosamente — uma condição chamada hipercalemia. Esse é um dos distúrbios mais comuns e potencialmente graves na Doença Renal Crônica (DRC).

Neste artigo, você vai entender por que o potássio precisa ser controlado na DRC, quais alimentos merecem atenção, e como manter o equilíbrio sem abrir mão da nutrição e da segurança.www.miglimed.com.br/nefrologia

O papel do potássio no corpo

É um eletrólito essencial, presente principalmente dentro das células. Ele atua em conjunto com o sódio para manter o equilíbrio elétrico e hídrico do organismo.

Entre suas funções mais importantes estão:

                •             Regular os batimentos cardíacos;

                •             Auxiliar na contração dos músculos;

                •             Participar do funcionamento dos nervos;

                •             Contribuir para o equilíbrio da pressão arterial.

Em condições normais, o excesso deste é eliminado pelos rins. Mas quando a função renal é reduzida, essa eliminação torna-se ineficiente — o que pode causar acúmulo do eletrólito no sangue.

Potássio e a Doença Renal Crônica

Na DRC, à medida que os rins perdem sua capacidade de filtração, eles não conseguem excretar adequadamente o que é ingerido pela alimentação. Com isso, o mineral se acumula no sangue, alterando a atividade elétrica do coração e podendo levar a arritmias cardíacas graves, que são potencialmente fatais.

Esta é uma das complicações mais temidas e perigosas na DRC — especialmente em pacientes nos estágios mais avançados (4 e 5) ou em diálise.

Além da função renal reduzida, outros fatores podem aumentar o risco desta alteração, como:

                •             Ingestão excessiva de alimentos ricos em potássio;

                •             Uso de certos medicamentos, como inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores da angiotensina II, diuréticos poupadores de K e betabloqueadores;

                •             Acidose metabólica (desequilíbrio no pH do sangue);

                •             Catabolismo muscular aumentado, em situações de infecção ou trauma.

Sintomas

Pode ser assintomática nos estágios leves, mas quando os níveis de K ultrapassam 6,0 mEq/L, os sintomas tornam-se mais evidentes e graves:

                •             Fraqueza muscular ou sensação de peso nas pernas;

                •             Formigamento ou dormência;

                •             Batimentos cardíacos irregulares (palpitações);

                •             Fadiga e tontura;

                •             Náusea;

                •             Em casos graves, parada cardíaca.

Como os sintomas podem ser inespecíficos, o monitoramento laboratorial regular é essencial para detectar alterações antes que causem complicações.

Como controlar

O controle envolve acompanhamento médico e nutricional, com foco na dieta e no uso adequado de medicamentos.

1. Alimentação controlada

A dieta é a principal forma de evitar a complicação. O ideal é ajustar o consumo diário de mineral conforme o estágio da DRC e as orientações do nutricionista renal.

Alimentos ricos em K (devem ser limitados ou evitados):

                •             Frutas: banana, laranja, mamão, abacate, melão, manga, kiwi, caqui;

                •             Legumes e verduras: batata, tomate, espinafre, beterraba, mandioca;

                •             Leguminosas: feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico;

                •             Sucos naturais e águas de coco;

                •             Substitutos do sal (“sal light”), que contêm cloreto de potássio.

Alimentos com baixo teor de K (mais seguros):

                •             Frutas: maçã, pera, melancia, uva, abacaxi;

                •             Verduras: alface, repolho, pepino, abobrinha, cenoura cozida;

                •             Outros: arroz, macarrão, pão branco, bolachas simples, carne magra (em porções moderadas).

2. Técnicas culinárias para reduzir o potássio

É possível diminuir o teor do mineral dos alimentos cozinhando e descartando a água. Esse processo, conhecido como “duplo cozimento”, é especialmente útil para legumes e tubérculos.

Como fazer:

                1.            Corte os alimentos em pedaços pequenos;

                2.            Ferva em bastante água por 10 minutos;

                3.            Descarte a água;

                4.            Cozinhe novamente em água limpa até o ponto desejado.

Essa técnica pode reduzir em até 50% o eletrólito dos alimentos.

3. Uso racional de medicamentos

Alguns remédios interferem no equilíbrio do potássio. É importante que o paciente não use suplementos ou substitutos do sal por conta própria.

O nefrologista pode ajustar a medicação ou prescrever quelantes (como o patiromer ou o zirconium cyclosilicate), especialmente quando há risco de hipercalemia recorrente.

4. Diálise e controle laboratorial

Nos pacientes em diálise, o controle do potássio depende da adequação do tratamento dialítico e da frequência das sessões.

Os exames de sangue devem ser feitos regularmente para manter o potássio dentro dos níveis ideais (geralmente entre 3,5 e 5,0 mEq/L).

Estratégias preventivas

                •             Evite automedicação, especialmente com suplementos e anti-inflamatórios;

                •             Monitore os exames laboratoriais conforme orientação médica;

                •             Mantenha o controle da pressão arterial e do diabetes, principais causas de DRC;

                •             Informe sempre o seu médico sobre novos medicamentos ou mudanças na dieta;

                •             Acompanhe-se com um nutricionista especializado em doença renal.

Essas medidas simples ajudam a prevenir a hipercalemia e suas complicações, mantendo o equilíbrio do organismo.

Conclusão

O controle do potássio na Doença Renal Crônica é uma parte essencial do tratamento, pois evita complicações cardíacas graves e melhora a qualidade de vida.

Com uma alimentação equilibrada, uso consciente de medicamentos e acompanhamento médico regular, é possível manter os níveis de potássio estáveis e garantir maior segurança ao paciente renal.

O segredo é o equilíbrio: nem excesso, nem falta — apenas a quantidade certa, orientada por profissionais que conhecem o funcionamento dos rins e as necessidades individuais de cada paciente. 💧🍎

Referências bibliográficas

                1.            Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Diretrizes para o Controle de Potássio na Doença Renal Crônica. São Paulo: SBN, 2023.http://www.sbn.org.br

                2.            Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO). Clinical Practice Guideline for the Management of Hyperkalemia in CKD. Kidney Int Suppl. 2020.http://www.kdigo.com

                3.            National Kidney Foundation (NKF). Potassium and Your CKD Diet. https://www.kidney.org. Acesso em: 10 out. 2025.https://www.kidney.org

                4.            Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas: Doença Renal Crônica no SUS. Brasília: 2022.              

5.            Palmer, B. F., & Clegg, D. J. (2021). Hyperkalemia in Chronic Kidney Disease: