Alterações ósseas na Doença Renal Crônica: causas e tratamento

Entenda como a Doença Renal Crônica afeta os ossos, quais são os riscos da DMO-DRC e os principais tratamentos para preservar a saúde óssea.
Alterações Osseas na DRC

As alterações ósseas é uma das complicações da Doença Renal Crônica (DRC). Doença que compromete gradualmente a função dos rins, afetando não apenas a eliminação de resíduos e líquidos, mas também o equilíbrio dos minerais essenciais ao metabolismo ósseo, como cálcio, fósforo e vitamina D.

Essas alterações metabólicas causam um conjunto de distúrbios conhecido como Doença Mineral e Óssea da Doença Renal Crônica (DMO-DRC) — uma das complicações mais importantes e debilitantes da DRC.

A DMO-DRC abrange alterações bioquímicas, mudanças estruturais nos ossos e calcificações vasculares, aumentando tanto o risco de fraturas quanto o de doenças cardiovasculares. https://miglimed.com.br/doenca-renal-cronica-causas-sintomas-e-prevencao

 Como os rins mantêm a saúde dos ossos

Os rins saudáveis desempenham papel fundamental na regulação do metabolismo mineral. Eles são responsáveis por:

  • Excretar o excesso de fósforo;
  • Ativar a vitamina D (em sua forma ativa, o calcitriol);
  • Controlar os níveis de cálcio no sangue;
  • Regular a produção do paratormônio (PTH).

Quando os rins deixam de exercer essas funções de maneira eficiente, o equilíbrio se rompe — e os ossos sofrem as consequências.

 Por que ocorrem alterações ósseas na DRC

A retenção de fósforo e a diminuição da ativação da vitamina D levam à queda dos níveis de cálcio no sangue (hipocalcemia).

O corpo responde aumentando a produção de PTH pelas paratireoides. Esse hormônio, ao tentar normalizar o cálcio, remove cálcio dos ossos — o que leva à reabsorção óssea e à fragilidade.

Esse ciclo resulta em perda de massa óssea, dores, fraturas e calcificações vasculares.

 Tipos de alterações ósseas na DRC

As doenças ósseas associadas à DRC podem variar conforme o grau de remodelação óssea. As principais são:

1. Osteíte fibrosa cística (alto turnover ósseo)

Causada pelo hiperparatireoidismo secundário, caracteriza-se por aumento excessivo da atividade das células ósseas e reabsorção óssea intensa.

2. Osteomalácia (baixa mineralização óssea)

Relacionada à deficiência de vitamina D e acúmulo de fósforo ou alumínio, provoca ossos moles, dor e fraturas espontâneas.

3. Doença óssea adinâmica (baixo turnover)

Ocorre pela supressão excessiva do PTH, deixando o osso metabolicamente inativo. É comum em pacientes que recebem doses altas de cálcio ou vitamina D.

4. Osteoporose associada à DRC

Pode coexistir com outros tipos de DMO-DRC, agravada pela acidose metabólica, inflamação e envelhecimento.

 Sintomas e sinais clínicos

Nos estágios iniciais da DRC, a DMO-DRC pode ser assintomática. Com o avanço da doença, surgem:

  • Dores ósseas em quadris, pernas e coluna;
  • Fraqueza muscular;
  • Fraturas de baixo impacto;
  • Deformidades ósseas;
  • Prurido urêmico (coceira intensa);
  • Rigidez articular.

Esses sintomas comprometem a mobilidade, a independência e a qualidade de vida do paciente renal.

 Diagnóstico da doença óssea na DRC

O diagnóstico envolve avaliação laboratorial, clínica e de imagem.

Exames laboratoriais

  • Cálcio total e ionizado;
  • Fósforo sérico;
  • Paratormônio (PTH);
  • Vitamina D (25(OH)D);
  • Fosfatase alcalina.

Exames de imagem

  • Radiografias para detectar fraturas e deformidades;
  • Densitometria óssea (DEXA) para avaliar massa óssea;
  • Biópsia óssea em casos específicos, quando há dúvida diagnóstica.

 Tratamento das alterações ósseas na DRC

O manejo terapêutico busca corrigir o desequilíbrio mineral, controlar o PTH e prevenir fraturas e calcificações.

1. Controle do fósforo

  • Dieta com restrição de fósforo (evitar embutidos, refrigerantes e ultraprocessados);
  • Uso de quelantes de fósforo (sevelâmer, carbonato de cálcio, lantânio).

2. Vitamina D ativa e análogos

Como os rins perdem a capacidade de ativar a vitamina D, usa-se calcitriol, alfacalcidol ou paricalcitol, que ajudam a regular cálcio e PTH.

3. Controle do PTH

  • Calcimiméticos (como cinacalcete) reduzem a secreção de PTH;
  • Paratireoidectomia em casos graves de hiperparatireoidismo refratário.

4. Correção da acidose metabólica

A acidose contribui para a desmineralização óssea; o bicarbonato de sódio oral ajuda a proteger o osso.

5. Atividade física e acompanhamento nutricional

Exercícios regulares e dieta equilibrada ajudam a manter a massa óssea e muscular.

 Prevenção e acompanhamento

A prevenção começa com o diagnóstico precoce da DRC e o monitoramento constante dos níveis de cálcio, fósforo, PTH e vitamina D.

Consultas regulares com nefrologista, endocrinologista e nutricionista renal são fundamentais.

O controle rigoroso da pressão arterial, diabetes e dieta também reduz o risco de alterações ósseas e cardiovasculares.

 Conclusão

As alterações ósseas na Doença Renal Crônica são uma das complicações mais sérias da perda da função renal. Elas afetam não apenas a estrutura dos ossos, mas também a saúde cardiovascular e o bem-estar geral do paciente.

Com o controle do fósforo, correção da vitamina D, manejo adequado do PTH e acompanhamento multidisciplinar, é possível preservar a integridade óssea e retardar a progressão da DRC.

Cuidar dos ossos é cuidar dos rins — e da qualidade de vida. 💧🦴

 Referências bibliográficas

  1. Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Diretrizes Clínicas para o Manejo da Doença Mineral e Óssea na Doença Renal Crônica. São Paulo: SBN, 2023.
  2. Kidney Disease: Improving Global Outcomes (KDIGO). Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, Prevention, and Treatment of CKD–Mineral and Bone Disorder (CKD-MBD). Kidney Int Suppl. 2017;7(1):1–59.
  3. Moe, S. M., & Drüeke, T. B. (2021). Management of CKD-MBD: An Update from KDIGO. Kidney International, 99(6):1261–1273.
  4. National Kidney Foundation (NKF). Bone Disease and Mineral Disorders in Chronic Kidney Disease. https://www.kidney.org. Acesso em: 10 out. 2025.
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